Como cultivar caqui

Caqui.
A cultura do caquizeiro (Diospyros kaki, L.) foi introduzida no Brasil no final do século 19 (PENTEADO,
1986), fato que provavelmente está relacionado à excelente adaptação da planta ao clima
subtropical e temperado
Clima
O caquizeiro é uma planta tipicamente subtropical, com ampla capacidade de adaptação aos climas
temperado e tropical. Na região Nordeste, o cultivo do caquizeiro ocorre apenas no Estado da Bahia,
em zonas de altitude acima de 700 metros.
Variedade
Segundo Campo-Dall’Orto et al. (1996), existe três tipos de caquizeiros: taninoso ou sibugaki
(Pomelo, Rubi e Taubaté), não taninoso ou amagaki (Fuyu, Jirô e Fuyuhana) e variável (Giombo e
Rama Forte). De acordo com Benato et al. (2005), os caquizeiros podem ainda pertencer a dois
grandes grupos: os que não mudam a cor da polpa quando polinizados e os de polpa clara, quando
sem sementes (não polinizados) e escura, quando com semente (polinizado). Cada um desses grupos
pode ainda ser dividido em adstringente (Taubaté, Hachiya, Pomelo, Rubi, Rama Forte e Giombo) e
não adstringente (Fuyu, Jirô e Fuyuhana). Os estudos com a cultura do caquizeiro no Vale do São
Francisco foram iniciados em uma coleção de cultivares composta por 12 acessos (Rama Forte,
Giombo, Kioto, Fuyu, Regina (IAC 2-4), Coração de Boi, Fuyuhana (IAC 152-7), Costata, Taubaté, Girô,
Pomelo e Rojo Brilhante) e em uma área com a cultivar Rama Forte Tardio, ambas localizadas no
Campo Experimental de Bebedouro, em Petrolina, PE. No Vale do São Francisco, as variedades Rama
Forte e Giombo são as que têm apresentado melhores resultados em termos de produção e
qualidade dos frutos.
Solo
De acordo com Lopes et al. (1990), os solos mais adequados para o cultivo do caquizeiro são aqueles
bem drenados, profundos, com boa capacidade de retenção de água, bom teor de matéria orgânica
e pH variando de 5,5 a 6,0. Considerando-se os solos predominantes no Vale do São Francisco, os
mais adequados para a cultura do caquizeiro são os Latossolos arenosos e profundos, pois
possibilitam uma rápida drenagem, já que o caquizeiro é sensível a excesso de umidade no solo. O
solo da área em estudo é classificado como Latossolo VermelhoAmarelo (SANTOS et al., 2006)
Preparação do solo
.Abertura das covas e adubação de fundição para a abertura das covas, deve-se retirar a primeira
camada do solo (0 cm a 30 cm de profundidade), colocando-a de um lado e a segunda camada (30
cm a 60 cm de profundidades) do outro lado. Coloca-se metade dos fertilizantes recomendados em
cada porção das camadas retiradas na abertura da cova e mistura-se bem. Posteriormente, colocase
a terra retirada da camada superficial no fundo da cova e a camada retirada da parte mais profunda
na superfície da cova. Após o fechamento da cova deve-se colocar um piquete marcando o centro da
mesma e iniciar a irrigação. Para o plantio das mudas, o agricultor deverá observar os seguintes
aspectos: a) O plantio deverá seguir um alinhamento e marcação de acordo com o espaçamento
previamente definido. b) As mudas deverão permanecer na sombra com irrigação frequente até
serem transplantadas para o campo. c) O plantio das mudas deverá ser realizado com o solo úmido,
de preferência, com a umidade na capacidade de campo. d) Durante o plantio, as mudas deverão ser
bem acondicionadas na cova, compactando-as bem. e) Logo após o plantio das mudas, realizar uma
irrigação para eliminar as possíveis bolsas de ar que se formam ao redor das raízes, de forma a

aumentar o contato das mesmas com o solo. f) A época mais adequada para o plantio é no período
das chuvas, de dezembro a março ou em dias com a temperatura amena e irrigação frequente. g)
Mudas de torrão apresentam melhor índice de pegamento que as mudas com raiz nua (AZEVÊDO,
2003)
Controle de plantas daninhas
Deve-se evitar a competição das mudas por água e nutrientes com as plantas daninhas,
principalmente gramíneas. Após o plantio, o controle de plantas daninhas deverá ser realizado por
meio de capinas 4 Cultivo do Caquizeiro no Vale do São Francisco Tutoramento superficiais para não
danificar o sistema radicular das plantas. Recomenda-se também o uso de cobertura morta nas
linhas das plantas.
Tutoramento
Após o plantio das mudas, é recomendável a colocação de tutores para manter as plantas eretas e
evitar o tombamento pelo vento. É recomendável também o uso de quebra vento na área.
Poda
No primeiro ano deve-se fazer a poda de formação, que tem por finalidade formar a estrutura da
planta, tronando-a capaz de suportar a carga de frutos. A muda é plantada com uma haste,
deixando-se crescer, no primeiro ano, três ou quatro ramos radialmente distribuídos a uma altura de
50 cm do solo, eliminando-se os demais ramos do tronco. Quando as folhas dos ramos secundários
completarem a maturação e entrarem em senescência, os mesmos deverão ser podados,
eliminando-se as cinco primeiras gemas, que geralmente são floríferas, para permitir uma brotação
vigorosa, formando-se uma estrutura em forma de taça. Quando as plantas atingem tamanho
adequado para iniciarem a fase produtiva, que ocorre no terceiro ano de idade, realiza-se a poda de
produção, que consiste na retirada do excesso de ramos, deixando-se aqueles mais vigorosos e
eliminando se aqueles mais finos, mal localizados, doentes e secos, os quais deverão ser cortados na
base. No momento da poda, deve-se ter muito cuidado para não despontar os ramos, pois é na
parte final que estão as gemas florais. Caso sejam deixados muitos ramos nas plantas após a poda de
produção, correse o risco de ter um excesso de frutificação, o que poderá resultar na quebra dos
galhos e colheita de frutos pequenos. Sempre, após a poda, é importante pincelar o local do corte
com uma mistura de fungicida com cola de madeira, para evitar a entrada de patógenos e pragas. É
recomendada, também, a realização de desbrotas periódicas, eliminando-se os ramos ladrões e
brotações excessivas.
Adubação
Para a obtenção do máximo potencial produtivo da cultura é fundamental a manutenção de um bom
estado nutricional das plantas, bem como conhecer a concentração e a extração de nutrientes ao
longo dos estádios de desenvolvimento da planta para o estabelecimento de dosagem de nutrientes
para adubação (VITTI et al., 2004). As necessidades nutricionais do caquizeiro variam de acordo com
os diferentes períodos do ciclo da planta, principalmente das fases vegetativas e reprodutivas, que
vão da brotação até a colheita e nova entrada em dormência (GASANOV, 1984; TANAKA; AOKI, 1969,
citados por GEORGE et al., 2003). A correção do solo e a adubação adequada são fatores
fundamentais para obter produtividade e qualidade. Para que seja feita uma adubação correta é de
fundamental importância a realização de analises de solo e foliar, as quais permitem conhecer a
disponibilidade de nutrientes no solo e o estado nutricional das plantas. É recomendável a realização
das referidas análises após a colheita dos frutos.

Irrigação
A irrigação é uma prática indispensável para o cultivo de frutíferas no Semiárido brasileiro. É
realizada com o objetivo de aumentar a eficiência do uso da água, proporcionando melhores
condições para o desenvolvimento e produtividade da cultura. Os sistemas de irrigação localizada
(gotejamento e microasperssão) são os mais adequados para o cultivo do caquizeiro em condição
semiárida tropical, por causa da grande ocorrência de plantas daninhas pelo aporte diário de água.
Todos os estudos conduzidos com a cultura do caquizeiro estão sendo realizados com o sistema de
gotejamento com linhas duplas, vazão de 2,1 litros por hora e cinco gotejadores por planta. Para
aumentar a eficiência do uso da água e dos fertilizantes, recomenda-se o uso da fertirrigação.
Indução da brotação
Esta prática é realizada com o objetivo de dar início à brotação das gemas, proporcionando maior
uniformidade da floração. Para a indução da brotação é utilizada a cianamida hidrogenada a uma
proporção de 1% mais 2% de óleo mineral. O início da brotação das gemas geralmente ocorre 10
dias após a aplicação, alcançando a plena floração aos 30 dias. Por causa das condições climáticas do
Vale do São Francisco é possível a produção de caquis em todos os meses do ano, mediante práticas
de poda e indução. A época mais adequada para a indução da floração é nos meses de abril a julho,
para que a colheita ocorra nos meses de setembro a dezembro.
Pragas e doenças
O monitoramento de pragas e doenças na cultura do caquizeiro no Vale do São Francisco identificou
a ocorrência de pragas secundarias (ácaros, lagartas e cochonilhas, sendo essa última ainda não
identificada a nível específico). No entanto, mediante a realização de monitoramento nas áreas
experimentais, somente alguns artrópodes.
Colheita, pós-colheita e destanização
No que diz respeito à colheita, ela ocorre de acordo com a coloração da casca, em geral, quando a
fruta perde a coloração verde e adquire tonalidade amarelo-avermelhada, que se acentua com o
avanço do estádio de maturação (ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE PRODUTORES DE CAQUI, 2008). De
modo geral, as variedades dos grupos doce e variável são colhidas com tom amarelo-esverdeada,
enquanto no grupo taninoso, a coloração típica é a vermelhoalaranjada.

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